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03 dezembro 2010

Galeria de Santo António nã se nega ô puxo...

Exposição Retrospectiva Rui André na Galeria de Santo António - Monchique
Im Ôtubro, foi o Sr. Presidente Rui André qu' amostrô os sês lindessíssemos trabalhos dele...


A Galeria de Santo Antóino, agora, dé im pôr lá desenhos, bonecos, retratos e coisas assim p'a toda a gente ver, que nã se passa quái mês nenhum que nã parêça quasequer coisa de novo. É c'mo ôtro que diz, 'dé-l'e p' ali e nã se nega ô puxo'...

Agora o que mái me dêxô imbasbacado foi que, aí em prencipos do mês passado - ó saria inda entes do Banho do Vinte Nove, nã m' alembra bem - arrecebi um convite, lá p'r mêo daquela coisa que 'tá agora munto na moda - o Facebook - p'a m' apresentar lá, num certo dia, premode uma inaguração.

Mái nã cudem. Nã era uma inaguração p' aí dum artista qualquer... Logo, até béque-medí bem p'r ela, mái a minha Maria, que nã dêxa passar nada, q'ondo ê cá l'e li aquilo im voz alta, voltô-se p'ra mim, toda munto pespeneta:

- Rui André?!... Foi Rui André que tu d'zeste? Olha lá, atã isso nã sará o Presidente da Cam'bra? Ó home, olha que nã tem nada im ser ele mémo... Rui André, Rui André... Nã dô p'r haver aí mái ninguém com esse nome... Lê lá ôtra vez...

Exposição Retrospectiva Rui André na Galeria de Santo António - Monchique
E falô um belo pôco p'a quem l'e quis ligar. E era-se uma bela manchinha deles, nã cudem...


Ê cá, assim de mimento, f'quí um coisinho insarampantado, que nã 'tava a contar. E tamém, parvo, nã li logo aquilo tudo até ô canto de baxo. Que, s' ê cá t'vesse lido désna do prencipo até ô fim, 'tava tudo logo lá d'zendo... Qu' era o Senhor Presidente da Cam'bra de Monchique, um moço inda assim p' ô novo, que nã há ôtro nas Cam'bras todas com menes anos, que gosta munto daquelas coisas da arte, e más isto e más aquilo, e coisa e tal...

De manêras que, a m'lher terminô, logo ali naquele mimento, c'm' é qu' as coisas haveram de ser. A pr'mêra foi que chovesse ele ó qu' aventasse, nã passava sem ir lá nesse tal mémo dia da inaguração. E, em ela pondo uma coisa à idéa e d'zendo, tenham a firme certeza qu' é assim que tudo se vai dar...

Más a más, qu' aquilo, p'ro jêto, prantam sempre lá alguma coisinha p' a dar ô dente. E p'a molhar o bico tamém. E, aí, já nã é só ela que 'tá ent'ressada. Tamém ê cá 'tô... E quem é que nã 'tá, ham?!...

E, d'zer a verdade, foi-se os dôs e a coisa passô-se tal e qual c'm' 'tava pensada. E p'ro jêto qu' ê cá vi lá na famila toda, f'cô tudo imbêçado com o que lá viram. Foi retratos do melhor, foi desenhos, foi tudo...

Exposição Colectiva 'Amália Meu Amor' na Galeria de Santo António - Monchique
Com respêto à Amália, hôve quem d'zesse logo: "C'mo isto nã há..." ...


Passado um mês, eles ôtra vez de roda de mim e da minha Maria p'a s' ir a ôtra inaguração lá no mémo sito... E com respêto ô quem? Desta vez, li logo tudo e fui ê cá que disse, de rompante:

- Olha, Maria, agora temos ôtra. E vamos tamém!.... É da Amália Rodrigues, m'lher!...

- Da Amália?!... Que bela lembrança qu' eles t'veram!... Ai s' ê cá gosto d' ôvir a Amália... E a c'madre C'stóida tamém de perde p'r ela.

- Mái que conversa é essa, Maria?... Bem sabes qu' a m'lher já morreu faz mái de dez anos. Aquilo vai ser uma coisa p' à gente s' alembrar dela.

- Atã e nem tampôco põem lá umas cantigas dela?... Uns fadinhos, uma coisa assim?!...

- Ah, isso, calhando, põem. Nã digo que nã ponham, nã senhora... Ô méme tempo qu' uma pessoa vê os quadros, vai-se ôvindo umas modas. É de c'stume eles pôrem música im quái tudo, tamém nã há-de ser desta vez que nã põem...

E puseram. Puseram, qu' a gente foi-se lá os dôs e más a c'madr'e C'stóida e, ainda s' ia a assubir as escaidas da antrada, já ele soava p'ra lá p'a drento a Amália a cantar um fado qu' era um consolo.

Exposição Colectiva 'Amália Meu Amor' na Galeria de Santo António - Monchique
Ajuntô-se um poder de famila na inaguração...


Mái uma coisa l'es digo ê cá. Até f'quí quái abismado com o que lá vi. Logo, qu' as coisas que lá 'tavam p' à gente ver tinham que se l'e d'zesse, e, depôs, a chusma de famila que lá s' ajuntô p'a ver aquilo.

E isso tanto se faz da pr'mêra vez, q'ondo foi o Senhor Presidente a apresentar as suas coisas dele, c'm' da sigunda, qu' eram p' aí coisa duns vinte artistas, perto ó certo, todos a amostarem qualquer coisa que fazesse a Amália Rodrigues vir à nossa mimóira.

E, p'ro jêto, inda lá 'tão!... Qu' ele des que aquilo vai durar até p'rô ano que vem. Na 'Agenda de Monchique' vem d'zendo que só acaba no dia nove de Fevrêro, vejam lá! Dá bem tempo p'a ninguèm se poder quêxar de nã ir lá. Qualquer um, querendo, vai. Inda p'r cimba, nã se paga nada, que, na Galeria de Santo Antóino, é tudo d' amor em graça.

E nã l'es parêce bem assim? A mim parêce-me. E à minha Maria tamém. Já o ti Zé Caçapo, aquele mê parente que tem o anexim do 'Verruma', que tamém lá par'ceu mái nã aprecêa nada daquilo, cuda que não. P'ra ele, aquilo devia de ser de paga à antrada:

Exposição Colectiva 'Amália Meu Amor' na Galeria de Santo António - Monchique
Ele até havia quem f'casse um belo pôco im frente de cada desenho...


- Atã isto tem algum jêto, agora, a Câm'bra 'tar a gastar, todos dias aqui uma remessa de d'nhêro só p'a esta estrangêrada vir aqui se fazerem d' emportantes?!...

Esta conversa passava-se cá fora, ô pé da porta da rua, qu' ê cá e a minha Maria tinha-se vindo cá fora panhar ar e o ti Zé Caçapo, chigô naquele mimento, já atrasado, c'mo é uso dele.

- Qual o quem, primo Zé!... - d'zia-l'e a minha Maria.

- Ai qual o quem...

- A Cam'bra nã gasta quái nada com isto. Foi méme o Senhor Rui André, o Senhor Presidente, que me disse. A Cam'bra só dá a casa, o resto é com os que organizam a exposição. Atã e diga lá, isto é só estrangêros?!... Ê cá o que vejo ali é tanto estrangêros c'm' famila de cá. Assome-se lá bem ali p'a drento...

Ele assomô-se. Olhô, olhô e lombrigô aquela menza qu' eles usam a pôr lá com uns comes e bebes, coisa pôca, mái, c'm' ê cá disse logo no prencipo, semp'e se molha o bico e dá-se um coisinho ô dente. Aí o homem mudô logo de fêção.

Exposição Colectiva 'Amália Meu Amor' na Galeria de Santo António - Monchique
Em 'tandem pôcos a ver, aprecêa-se melhor...


À uma, que 'tavam lá umas garrafas de vinho branco que ele atribuíu que sariam de madronho, qu' é o qu' ele gosta más, e, à ôtra, que tamém viu logo que nã era só estrangêros que lá 'tavam.

E isto p'a nã falar do garreão qu' ele ôviu da minha Maria, logo a seguir, premode ter antrado assim, de rompante, caminho dos comes e bebes. Nem falô a quem lá 'tava, jogô-se a c'mer de tudo o que viu im cimba da menza e bobida foi até mái não. A m'lher f'cô méme inzainada...

Más isso, agora, nã enteressa. O que l'es posso d'zer é que, aquilo, 'tão lá coisas que nã se podem perder de ver. Méme quem ande com o governo munto impeçado, qu' isto, neste tempo, já anda tudo a afêçoar o sapatinho p' ô Dia de Festa, nã dêxe de tirar uma bêradinha de tempo p'a dar lá uma fugida. Despôs, nã digam qu' ê cá nã nos avisí...

E, querendem ver videos e retratos do que se passô lá, acalquem aqui na Galeria dos Vídeos do Parente da Refóias ó nas Galerias da Exposição Retrospectiva Rui André e da Exposição Colectiva Amália Meu Amor.

Os videos tamém 'tão logo aí prebaxinho. É só acalcar im cimba deles.

E até qu' a gente se veja.













28 agosto 2010

A Galeria de Santo António

Galeria de Santo António - Monchique
Logo na inaguração da exposição, a Galeria de Santo Antóino tinha munta freguesia...

Ontordia, d'zeram-me que des qu' ia haver p' aí uma exposição na Galeria de Santo Antóino. Béque-me de quadros e estátuas. Mecêas, calhando, nã vão acraditar, más olhem qu' até arrecebi um convinte. Mandaram-mo por esta coisa da internet...

De manêras que andí uns dias a ramoer naquilo, vô nã vô, sem saber o qu' havera de fazer. Mái, nisto, dé-me assim um derrepente, pensí:

- Atã que jêto nã?!... Vô-me más é falar com a minha Maria, a ver o qual é a idéa dela e nã perco aquilo...

E assim fiz.

E o qu' é que se resultô dali? 'Tá bom de ver qu' ela dé logo os àmens todos. Parvo era ê cá se cudasse o contráiro. Atã s' a m'lher 'tá semp'e fêtinha e de'josa p'a ir aqui e ali, seja ele p'a donde for...

Galeria de Santo António - Monchique
O Senhor Presidente da Cam'bra tamém lá par'ceu. E devassô tudo de fio a pavio...

- Já qu' ele é isso, im que dia é qu' a gente vai lá?

Prècurí-l'e ê cá p'a poder terminar a minha vida e fazer os mês preparos a tempo e horas.

- Ó homem, isso é prècura que se faça?!... Atão, se te convindaram p' à inaguração... A inaguração nã usa a ser logo no pr'mêro dia?... E que nã fosse... Candêa que vai à frente alumia duas vezes... Nã há nada c'm' à gente par'cer lá tã penas se possa. Nã vã eles vender p'a lá os quadros todos e a gente ficar a fazer-l'e cruzes...

- Ah, pôs... Já nã m' alembrava. Foi p' à inaguração, foi. O convinte era p' à inaguração. Era isso mémo...

- E, más a más, qu' ali a comad'e C'stóida já me contô que l'e d'zeram que, nessa dita nôte da inaguração, é certo e sabido que vai haver lá comes e bebes e tudo!...

- O quem?!...

Galeria de Santo António - Monchique
A famila 'tava tudo emprensado a ver coisas tã bonitas...

- Sim!... Des que umas coisinhas p'a dar ô dente e umas bobidas p'a molhar o bico. Há-de ser assim umas provas c'm' à gente, q'ondo calha, usa a fazer.

- Eh'q!... C'm' à gente usa a fazer... Isso, nã tem nada im ser uma coisa assim p'ô fino e ê cá, e tu tamém, nã se tem condiçõs p'a se metermos im coisas dessas...

- Que jêto não?!... Lá cudas qu' os estrangêros são mái descretos do qu' à gente. Sim, qu' aquilo, a maior parte dos que p'r lá parêcem hã-de ser estrangêros...

- Há-des ter r'zão, sim. Nestas coisas, os que parêcem é quái tudo estrangêros. A famila de cá, nã sê o que têm, s' é p'r serem vergonhôsos ó s' o qu' é que é, béque-me nunca parêcem...

- Pôs atão, qu' eles vão que nã vão, a gente vai. Nã te parêce? Isto é só uma conversa. Que tu é que mandas...

- Sim, m'lher... Que jêto nã s' ir?!...

E a coisa f'cô assim terminada.

Galeria de Santo António - Monchique
Quem qu'sesse ver as pinturas, assubia até ôs altos...

Chigados ô dia, inda 'tive vai nã vai p'a dar uma vaiazinha à C'mad'e C'stóida e ô compad'e Jôquim, mái, despôs, pus-me a cismar qu' eles nã tinham sido convindados e des que "a casamento e batizado nã vás sem ser convindado" e, atão, achí melhor f'car calado.

Que, d'zer a verdade, ele, o mê compad'e Jôquim do Barranco, nã é moço munto dado a essas coisas e ê cá já sabia munto bem que m' afiturava era a ele d'zer logo que não e, em ele embrutando com uma coisa, é má de mudar d' idéa. Agora a c'mad'e C'stóida, essa sim, tenho a firme certeza que 'tava-se pelando p'a ir. Mái dêxamos lá isso...

De modes que, à hora marcada ó um coisinho entes, apresentí-me lá com a minha Maria, os dôs bem arrenjadinhos com a rôpinha do Domingo, qu' a coisa nã era p'ra menes. Uma pessoa sabia lá quem é que p'r lá 'tava?...

Olhem, e inda bem. P'mêro, só vimos engleses. A minha Maria des qu' uma que 'tava lá era alemoa, qu' ela sabia que era, e os ôtros c'm' 'tavam a falar com ela, calhando, tamém sariam, más ê cá c'm' intendo tanto duma fala c'm' da ôtra, nã l'es sê d'zer ô certo d' adonde é qu' eles todos eram.

Galeria de Santo António - Monchique
Digam lá se nã é uma coisa im condiçõs...

E, atão, o qu' é qu' a gente fez. Fomos logo caminho do senhor Rolf, qu' é o dono lá da Galeria da Porca Preta, na Cerca da Rita, que ele a gente sabia que fala cá a nossa língua... O homem, munto porrêro, prècurô logo o qu' é que a gente queria p'a bober. Ê cá gosto mái do tinto, a minha Maria gosta mái do branco. Mái p'a nã me tornar munto empertinente, pedi os dôs copinhos mémo do branco...

Nisto, a minha Maria dá-me uma pisadela, d' apreposito, num calo, cudí qu' era premode ê cá 'tar a olhar assim de ravés p'a uma moça estrangêra que 'tava ali toda incalorada, com pôca rôpa im cimba do pelo. Mái nã era. Era o Senhor Presidente da Cam'bra que 'tava a chigar, que tamém ia ver aquilo.

Tã penas o vi, pus-me logo mái d'rêtinho que nem um fuso e arrumí o copalho de vinho, inda a mêo beber, ali no parapêto da janela, qu' o respêtinho é munto bonito... Más o homem, sem ofensa, o Senhor Presidente, nã esperô fogo, assim vem d'rêto a mim e à minha Maria e vá de falar à gente. Ora, foi o qu' a gente quis...

Qu' ê cá já me tinha soado uns zum-zuns qu' ele era uma pessoa munto dada e 'par'cia sempre im toda a banda. Verdade se diga, vê-se mémo qu' ele gosta destas coisas até mái não. E, em vendo lá munta famila, inda mái contente fica. Vê-se logo.

Galeria de Santo António - Monchique
Nos baxos, quem l' apetecesse podia molhar o bico...

O que l'es sê d'zer é qu' o homem, sem ofensa, o Senhor Presidente, devassô aquilo tudo de fio a pavio que nã dêxô nada p'a trás. E ê cá, 'tá bom de ver, aprevêtí logo o atôpo. Tirí retratos todos q'ontos pude com ele lá. Tenha pacência Senhor Presidente e nã leve a mal que vomecêa morcia era que 't'vesse lá um que sabesse tirar retratos c'm' deve de ser. Mái, na falta de melhor, acontente-se méme com estes cá do Parente.

Agora, mês belos amigos, vejam lá se nã vão visitar a Exposição de Pintura e Escultura de Vera Christians e Jean Brown, na Galeria de Santo Antóino... Olhem que aquilo é uma coisa que morêce ser vista e, inda p'r cimba, uma Galeria daquelas tã jêtosa tem que 'tar sempre a foncionar. Mái s' a famila nã vai... 'tá-se méme a ver o qu' é que se ...

Querendem ver más alguns, acalquem aqui na Galeria de Santo António e desculpem lá serem tã pôcachinhos.

Até um dia destes e Dés l'e dê saúde a todos.

22 fevereiro 2007

Estátuas de Monchique - as outras

Im pr'mêro lugar, tenho munto a l'es pedir desculpa qu' isto, nã sê se foi p'r mode ser entrudo s' o qu' é que foi, andô pr' aqui tudo desalvorado. Os retratos, uns par'ciam ôtr's nã par'ciam e ê cá custí a dar conta disto.

É qu', inda p'ra más, os saganhetas adonde os retratos 'tã gôrdados tamém se resolveram p'a lá a mudar os servidores, qu' isto agora já quái ninguém tem trabalho certo a nã ser os empregados do Estado, e atão, calhando, aqueles acabaram o contrato e puseram ôtr's ô serviço.

Ora, os nôvos nã 'tavam bem ac'st'mados, 'tá bom de ver, e inda ajudaram a marafar más isto tudo. Mái a coisa, agora, béque-me,incarr'lhô ôtra vez. E, atão, lá vai o resto das estátuas da Vila.

Esculturas de MonchiqueInda bem o Tóino Pingueta nã se tinha despedido de mim, já ê cá lá ia caminho d' ô pé da farmácia de cima, ali adonde eles puseram um, munto incasacado, a fumar de cachimbo, com ar de munto fino.

E já agora, entes que me desqueça, quem fez estas estátuas foi um artista que nã narcé cá im Monchique, mái, ô fim de contas, é filho de famila de cá. O nome dele é Melício e, p'r o jêt', é um varinha nisto e nôt'as coisas que tem fêto 'í p'r tôd' ô lado.

Vejam aqui, qu' a amiga Mari' Lua mandô-me umas ligaçõs, e ê cá, tã parvo, já tinha dado com isto há uns belos tempos e barré-se-me tudo que, nem p'r nada, m' alembrava. Dés l'e pague, minha bela amiga... E, se prècurarem na internet, inda incontram mái coisas.

E com isto tudo, q'ondo mal dí p'r mim, ia a mê da Rua do Porto Fundo, munto emprensado, já a lombrigar a tal dita estátua que 'tá lá quái ô canto de cimba. Um moço munto jêtoso, com um cachimbo nas unhas a decer a rua, todo emproado, c'm' usa a fazer aquela famila de fora que vem p'r cá de v'sita munt' amiúde, mái no V'rã' que no enverno.

Im chigando ô pé dele, pus-me a o'servar bem aquilo e nã se pode d'zer que nã 'tá uma coisa bem trabalhada. Olhe qu' até parêce quái de verdade. S' ele nã o calhasse a ter pintado desta manêra tã enfarruscado, logo vomecêas viam... Havera d' haver munto quim s' atribuísse qu' aquilo era méme uma pessoa.

E, uma ocasião, 'té l'es posso d'zer qu' isso se deu. 'Tá bem qu' ele era um coisinho já de nôte e inda havia pôco tempo que tinham posto ali aquilo, mái se fosse uma coisa sim jêto nim trambêlho, quim é que s' ia inganar? Só quim viesse já bem escorvadinho...

Esculturas de MonchiqueEsculturas de Monchique Este dá ares a ter um coisinho de presunção. Mái que 'tá bem fêto, 'tá. Lá isso nã se pode d'zer que nã 'teja...

E ê tamém nã l'es vô d'zer que fosse o contráiro, qu' o Zé D'mongues inda hoje gosta de s' intreter na Portela e vinha de lá. E há quem diga qu' ele 'teve na venda a tarde entêra e só àquela hora é que despegô de jogar ôs três-setes im companha d' ôtr's três amig's. E aquilo, ô fim de cada jogo, vem semp' uma rodadinha...

Qu' ele é munto influído a jogar à carta, isso semp' tenho ôvisto d'zer...

Pôs o amigo Zé D'mingues vinha com tanta influên-inça de chigar a casa p'a bater o jantarinho que, nã repàirando qu' aquilo nã era uma pessoa, falô-l'e:

- 'Teja com Dés...

Dé' mái duas ó três passadas p'ra baxo, c'm' nã ôvi' r'posta, pôs o ôvido à escuta e ôlhô assim p'r o canto do olho a ver se dava conhecido a criatura. C'm' nã no conheceu, f'cô imbasbacado sim saber o que fazer.

- Nã tará ôvisto?!... Fal'-l' ôtra vez, nã l'e falo, o qu' é qu' ê faç', senhor?... - Pensô. E num derrepente, volta-se:

- Atã, parente, o qu' é que faz p'r 'qui, umas horas destas?... 'Tá aí aparado p'r mode quem? Quer ir p'a alguma banda e nã conhêce a Vila?

C'm' o ôtro nã l'e d'zesse nim isto nim aquilo, inda béque-me f'cô mái insampado...

- Ó mê belo amigo, veja lá, se t'ver preciso d' alguma coisa, diga lá qu' ê sô pessoa p'a l' e dar uma ajudinha. Désque 'teja ô mê alcance, 'tá bom de ver...

E o ôtro, nada...

- Ai, nã dizes nada?!... Atã 'pera aí qu' ê já te dô. Passe munto bem e até à vista, qu' o mê vagar é pôco...

E abalô caminho de casa.

Q'ondo lá passô ôtra vez, nã sê que tempos despôs, e inda lá vi' a criatura no mémo sito, pôs-se a olhar, fez assim um mòdinho de riso, vi' adonde 'tava e disse p'ra com ele:

- Olha que f'gura que fazeste naquela nõte, Zé... Tal era aquilo, se se dá o caso d' alguém ter visto?!...

Esculturas de Monchique Nã sê pre mode quem, o mest'e Melício béque-me gosta de fazer meçalhas-pequenas que nã se sabe bem s' é môç' s' é moça...

'Tava ê cá a m' alembrar desta passaja e já lá ia, Escadinhas do Adro abaxo, d'rêto à Quinta da Vila, adonde fazeram aquele jardim à roda da araucária e as p'cinas e aquela coisa toda. Nã é p'r nada, mái 'tá ali uma coisa... Quem fez aquilo nã se pode d'zer que nã tenha sido bem ôp'niôso.

Méme agora d' enverno, uma pessoa vai lá e dá gosto ver... Logo, que tem a araucária qu' é uma arv'e c'm' se vê pôco - p'lo jêto, foi despôsta no sito melhor que podia ser, qu' ela prosa lá tã bem que tem crecido aquilo que se vê. Despôs, o jardim 'tá todo bem arrenjadinho com arv'es e flores que nem tampôco têm míngua de dar flores p'a serem bonitas.

E, inda p'ra más, puseram-l'e lá as tales estátuas do mest'e Melício, qu' até um f'lano, méme andando p'r lá sòzinho, sinte-se com companha e, de q'ondo im vez, descuda-se e quái que l'e dá p'a puxar conversa com elas, fêto Zé D'mingues.

Já nã digo qu' isso se com aqueles dôs meçalhos-pequenos qu' ali 'tão, mái com este trabalhador que 'tá aqui jogado a partir pedra, uma pessoa apara ali ô pé dele, põe-se a olhar bem p' àquilo e é, béque-me, tal e qual c'm' se passa de verdade. Tirando o martelo qu' ele tem na mão - qu' isto aqui usa-se é uma maceta - e o pontêro, que nã tem e havera de ter na outra, aquilo nã tem quái d'f'rença denhuma...

E olhem qu' hoje já pôco se vê, mái, nôt's temp's, p'a se fazer fosse o que fosse d' alvenaria, era tudo im pedra. E, atão, quim é que nã tinha ferramenta p'ra isso, mòrmente se sabesse fazer qualquer coisinha de pedrêro?... Que, nesse tempo, a famila sabia fazer quái de tudo. Tanto se jogava a cavar um cantêro com uma inxada c'm' fazia um v'lado de pedra ó uma parede de taipa...

Inda, ontordia, im conversa com o mê parente Joanito do Forno, que tamém inda é Refóias do lado da mãe, se falô nisso. Ele 'tava p'ra lá a arrumar umas trugias no sobrado, saca desenlaca, tomba-l'e uma bróca que 'tava incostada à parede p'r trás dumas tábuas. P'r más um nada nã l'e panhava uma canela...

- Ai, fado dum ladrão, já nã m' alembrava qu' isto 'tava aqui, ia arrenjando a bonita!... Olha s' ela me panha a perna...

- Escraf'lava-te-a toda. Ora uma bróca dessas, quái com um metro de comprimenta e toda farrugenta, a te bater assim dessa manêra...

- Se nã fosse ser uma alembrança do mê falecido pai - que Dés o tenha - só me dava vontade era d' a jogar já ali p'a drento dum balsedo... Isto, tamém, já nã me serve p'a nada.

- Olha qu' às vezes, nunca se sabe... Podes ter precisão d' impurrar p' aí uma pedra assim maiorinha ó um tróço duma sobrêra, e uma barra faz semp'e jêto.

- Eh'q. Isto agora, já nã se faz nada à som de braço. Q'ondo se tem preciso, manda-se vir uma recta.

- Lá isso é verdade, mái ê cá quái que me dá uma pàxanita de ver as ferramentas aí todas a inferrujar. Assim c'm' tu, que tens aí de tudo, désna de barra e marrão até brócas e pontêros, haveras dos conservar isso e nunca as estrapôr...

- Nã... Isso lá estrapôrestraponho. Mái, parte das vezes, nem m' alembro que tenho isto pr' aqui e vai-se tudo estragando.

Esculturas de MonchiqueEsculturas de Monchique Tal e qual c'm' se trabalha na pedra. Só qu' im lugar do martelo havera de ter um maceta na mão.

E p'a nã nos impatar más, uma coisa l'es digo: em vindem à Vila, nã percam de dar uma voltinha p'r este jardim e devassá-lo bem, que nã ficam repesos. P' ôs que já 't'verem fracos das canoiras e nã darem decido munto bem as escalêras, qu' aquilo, d'zer a verdade, é bem munto empinado, vã à roda e passem lá ô pé da Junta de Freguesia que semp'e nã é um caminho tã ingr'e.

E, im chigandem lá im baxo, têm p'r lá bancos p'ra s' assentar à vontade e descansar as pernas.

E isto é tanto p' à famila de cá c'm' p' ôs de fora. Qu' esses, uns já vêem d'apropósito e sabem, e ôtr's nã sabem e aquilo passa-l'e tudo desapercebido. De manêras que, olhem p' à araucária, cá de cimba, e deçam até l'a im baxo p' à ver da ôtra banda, no mê daquele jardim tã bonito.

E Dés l'e dê saúde a tôd's.

13 fevereiro 2007

Estátuas de Monchique - Largo dos Chorõs

Esculturas de Monchique

Q'ondo o tempo 'tá infarruscado e nã se dá fêto g'verno nenhum, uma pessoa ó põe-se ô pé do fogo, e inda s' afitura a 'panhar uma preção de cabras nas pernas, ó atão vai-se dar uma volta aí p'r q'alquer banda.

Foi o que fiz, um destes dia, melhor d'zendo, sáb'do passado. O astro t'ava assim bem munto nuv'lado, um homem nã sabia bem s' ele vinha chuva s' ele al'viava, dig' p'ra mim:

- Nã havia nada c'm' ires 'í prê abaxo, levavas a mànicazalha e tiravas uns retratos àquelas estátuas qu' eles puseram p'r 'lí, que bem sabes qu' as que tinhas foram ô ar daquela vez qu' o raça do comp'tador avariô...

E c'm' a coisa 'tava desse jêto, peguí num chapé'-de-chuva, nã fosse ele me fazer aparte, puse-o às costas, pindirado méme aqui na gola da blusa, qu' era p'a dar sigurado com as duas mãs no resto das coisas, e lá abalí.

Más a más, qu' ele hôve aí uma bela amiga, a Mari' Lua, qu' é de bem longe, inda p'r cimba de L'sboa, e usa a vir p'r 'qui, lá q'ondo calha, ler estas parvidades, que, des qu', uma vez, vêo cá a Monchique im passêo e foi uma coisa qu' ela se gabô de ver foi tales estátuas.

Ora, ê cá nã sê s' ela as vi' todas ó não qu' ela só me falô daquela do m'çalho-pequeno com a bola e duma "que é um rapaz que está sentado no muro que dá para o jardim onde está a majestosa árvore Araucária". E atão, aqui l'es amostro todas p'a quem qu'ser ver.

E quem as conhêce, já s' há-de 'tar a desmanchar a rir da Mari' Lua ch'mar rapaz a uma moça tã jêtosa que p' ali 'tá assentada a olhar p'a tudo q'onto se no Largo dos Chorõs. E, inda p'r cimba, da manêra qu' ela 'tá, toda descomposta - quái se l'e veêm as vergonhas todas - que nã tem precisão d' amostrar o b'lhete d' identidade nim nada...

Esculturas de Monchique Quái tôd's s' inganam. Cudam qu' é um moço e, olhando bem, sai-l'e uma m'lher. Um coisinho descomposta, 'tá bom de ver...

Mái nã leve a mal, minha bela amiga qu' isto nã é judear consigo... É só p'a mangar um coisinho, que cá com o Parente tamém se dé o méme caso q'ondo vi' aquilo a pr'mêra vez. Cudava ê cá que nã havera d' haver quem s' afiturasse a pôr ali uma m'lher assim naqueles modes...

Isto p'a já nã falar do Tóino Pingueta, que, 'tava ê cá a tirar o retrato àquilo, 'parêce do lado do posto da guarda, amontado na zundap dele, cada vez mái velha, que fazia uma urrada e dêtava um torno de fumo do tubo de escaple, que metia medo... Só l'es dig' que nã sê c'm' é qu' ele inda s' astreve a passar im frente dos guardas com a b'cicleta a fazer uma zorrêra daquelas... Já na falando da falta de luzes e o travã' sabe-se c'm' é qu' ele trava...

Pôs o bom do Tóino, tã penas me viu, assim mê agachado, im frente da estátua, apára a b'cicleta quái no mê da estrada, e dá-me um eco:

- Eh, Refóias, mái atão o qu' é fazes aí quái com as nalgas no chão, mam?!...

Nem tampoco me dé' tempo de m' alevantar, oiço logo uma gradessíss'ma travaja atrás dele, q'ondo olho, vejo um a't'móvem, assim munto incarniçado, e um estapor lá drento, todo marafado, vá d' abanar os braços. O Tóino volta-se p'ra ele e, béque-me, f'cô ali insampado, sim fazer nada.

'T'veram os dôs assim naquilo um coisinho, o ôtro prega-l'e um apitadelão. O Tóino até estrameceu, mái olhô p' ô que tinha fêto - parar ali no mê da rua sem más esta nem más aquela - caí' nele e resolvé'-se a sair dali p' ô ôtro dar passado.

Joga-se ô punho da b'cicleta, acelara a fundo, larga a manete da imbriaja quái de repente, ora... arrenca de sacada qu' a roda da frente inda foi no ar uns dôs ó três metros... Jogo as mãs à cara, qu' inda vi jêt's dele bater a apèraja e ir afuç'nhar d' encontr' ô passêo...

Mái, vá lá que p' ali andô ôs gangueõs, foi, foi, enqu'librô-se, foi a sorte dele... E o saganheta do do carro é que se ria... Até s' l' ôvia as carcachadas cá do lado de fora. Qu' o filho duma magana inché' ali bem o papinho às tenças do Tóino Pingueta, lá iss' incheu...

D'zer a verdade, tamém a mim me dé' festa. Aquilo tornô-se ad'vertido ver a parte do Tóino, o ôtro a rir e, despôs dele abalar, os nomes que l'e ch'mô... Foi tudo q'onto l'e vê' à idéa... menes pai ó santo qu' isso nã s' alembrô. Ó nã quis d'zer...

Esculturas de Monchique P'r trás desta, 'tá uma vista da Vila. E logo fêta p'r uma artista de cá: Lurdes Sério.

Nesse mê tempo, inq'onto l'e ch'mava "filh' desta, filh' daquela, haveras de bater com os c... numa sobrêra, nã te dar uma tração, cã danado!...", foi-se apròchigando com a b'cicleta do passêo, puxô o descanso com o tacão da bota - umas botas canelêras de cabedal qu' ele comprô, há uns belos anos, na fêra de Castro, mái saíram-l'e tã boas qu' aquilo béque-me nunca mái se gastam... - e largô-a sem olhar nem nada.

Ora a b'cicleta inda nã 'tava bem sigura, dé' balanço. O descanso 'tava todo ratorçido, nã aguentô, prás! no mê do chão... Só quem viu é que pode d'zer... Volta-se p'ra ela, inzainado que nem um cão, nã sabia o qu' havera de fazer, vá um pontapé numa roda...

- Cadela dum raio, que só me dá vontade tiçar-te fogo!... Mái atão ê nã comprarê um mata-velhos, qu' é um descanso, e jogo este raio a uma barrêra abaxo ó p'a drento dum balsedo bem grande?!...

- Atã, Tóino, béque-me 'tás p' aí um coisinho infèzado, 'tã'-te a correr mal as coisas ó quem?...

- Ah, inda 'tás a fazer pôco... Nã viste bem o que se deu?!...

- Tem pr' aí pacênça, home, qu' isso qualquer um l' acontêce coisas dessas...

- Nã digo que nã 'tejas certo, mái o que me parcé' bem munto mal foi aquele estaporado se rir de mim daquela manêra. S' o panhasse, agora, aqui, punhefra qu' até o tarrincava!...

Aí é que mé cá uma festa que nã me sigurí, tive que me voltar um nadinha p' ô lado, puxar do lenço d' assoar munto l'gêro e fazer que 'tava a assoar a pinga do nariz ô méme tempo que quái que tirava um pedaço dum beço com a tarrincadela que l'e dí p'a ver se me continha sim desatar às carcachadas...

Mái a coisa lá se compôs e viemos andando p' à rés da estátua qu' ê nã tinha inda tirado retratos nenhuns que dessem nem viessem.

Esculturas de Monchique Este moç'-pequeno 'tá, béque-me, a convindar a gente p'a ver o bonito qu' a Vila tem... Nã veêm o Convento e a magnólia lá im riba?

Salta logo ele, já munto senhoril:

- Mái atão, o qu' é que t' ent'ressa tirar retrat's a um boneco desses, aí de perna aberta, béque-me a pedir esmola?... Inda se fosse uma estrangêra que t'vesse aí assantada, daquelas jêtosas que parêcem no v'rão...

- Ah, tu tamém inda nã viste qu' isto é uma m'lher?...

- M'lher?!... Qual m'lher nem m'lher!... Atã nã vês qu' isso tem cara de moço e cabelos e tudo?...

- É uma m'lher, sim!...

- Q'onto se 'posta?...

- Ê cá nã 'posto nada qu' ê sê munto bem qu' é uma m'lher...

- Vá, uma assadura ali n' "O Fernando"... 'Tá 'postado!...

- Olha que perdes... E ê nã gosto de te ganhar assim à má fé...

- Qual o quem!... Vai-se já prècurar aí a quem saiba. Nem que se tenha s' ir à Camb'ra...

- Ê cá nã tenho míngua de prècurar a ninguém... é só olhar p' ali...

E lá l' apontí ali p'a prebaxinho das goélas da m'lher. C'm' vomecêas já hã-de ter repàirado, a camisa 'tá assim um coisinho mal ab'toada e quái que dêxa ver ali um... um pêto da pobrezinha.

- Olha, inda nã tinha repàirado bem... Mái atã aquilo é o pêto duma m'lher!... !... Já nã s' emportam d' amostrar tudo o que calha... 'Tá bem que nã é coisa lá munto lustrosa c'm' às da minha T'reza, mái vê-se bem o que é...

- Ê nã te disse...

E o marafado nã tirava os olhos de lá...

- Tóino!...

- Dêxa-me lá ver bem isto... Atã é m'lher e 'tá aqui de perna aberta desta manêra?!...

E vá d' ingrilar ali p' àquelas bandas um coisinho mái prebaxinho do cesto...

- Tem vergonha, Tóino!... Nã faças figuras dessas...

- 'Pera aí, qu' ê quero deslindar isto bem...

'Té que lá pegô nele, passado um belo pôco, e se voltô p' ô mê lado, inda, béque-me, munto a custo.

- Vá lá que nã 'postamos, senã lá tinha qu' alancar com umas assaduras p' à gente...

- Ai, agora, já nã 'postamos?!... Tu d'zeste que 'tava 'postado, 'tá postado...

Dise-l'e ê cá só p'a antrar com ele...

- Nã, nã... Tu d'zeste que nã qu'rias 'postar...

E p' ali se f'cô a rançar que tempos um com o ôtro, um que 'postô, ôtr' que nã 'postô... 'té qu' ele p'a se ver livre de mim, lá se resolvé':

- Olha, Refóias, p'a ver se tu te calas já p' aí com isso, vamos más é ali ô Café bober uma calçàjazinha...

- Ah, assim 'tá bem. Já d'zia que tu nã te descaías...

E lá se foi os dôs.

Esculturas de MonchiqueEsculturas de Monchique Nã veêm que já hôve um grad'ssíss'm' ô badalo qu' andô a labuçar as estátuas com tinta azul...

A cabo dum pôcachinho, já se 'tava os dôs no café a b'ber uns solvinhos. Mái aquilo foi p'a despachar qu' ê cá tinha-me opôsto, nesse dia, a tirar retratos e nã l'e podia dar munta largueza senã passava o resto da tarde na bob'dêra...

E, atão, im menes de nada, já se 'tava na rua ôtra vez e toca d' ir, Porto Fundo acima, p'r mode ôtra estátua que 'tá lá p' ô pé do Carlinhos Coêlhêra.

Essa e as da Quinta da Vila logo l'es amostro, tã penas tenha jêto.

Fiquem-se com Dés.